Fila do restaurante universitário, 11:30 da manhã (universitário almoça cedo), a famosa fila apenas dava a volta no prédio, tava pequena, dois amigos conversam enquanto dão a conhecida espiada nas bandejas dos que já estão lá dentro. Arroz e feijão, a dupla de sempre, pepinos em rodelas que pareciam gelatina, frango frito, mais conhecido como osso de frango frito, e uma massa disforme que, segundo meu amigo, parecia plástico.
Conversa vai conversa vem, já estávamos com os talheres pegando as bandejas. Pego arroz, feijão, encaro a massa disforme, é purê de batata, cada vez mais ele parecia plástico (uma voz materna fala na minha cabeça, come o purê meu filho, faz bem), peguei o bendito. Convenientemente pulo o pepino, um risco por vez já é suficiente.
Sentados, a dupla sempre com o mesmo gosto, de nada, o osso, frito, e, finalmente, o purê. O garfo se aproxima, tento tirar um pedaço, ele quer vir inteiro, com muita luta pego uma parte, perto de colocar ele na boca meu amigo reclama:
- Parece plástico, tem jeito de plástico e gosto de plástico. – desisto.
Na hora de limpar a bandeja a massa demora a descolar, até que cai, inteira, no fundo do lixo. Pego uma maçã na pilha das frutas de sobremesa e saio.
No caminho de volta para o meu bloco passam pela minha cabeça revolucionária milhares de idéias: greve de fome, barricada na porta do restaurante e a gloriosa, sempre presente, invadir a reitoria. Porém, a luta pelos meus direito alimentícios acaba esquecida quando mordo a maçã, tava muito boa...

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